Adilson Francisco dos santos. Estudos
Apologéticos.
QUAL É O SENTIDO DO CAPÍTULO 27.
51-53 DE MATEUS
E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de auto a baixo,
e tremeu a terra e fenderam-se as pedras. E abriram-se os sepulcros e muitos
corpos de santos que dormiam foram ressuscitados. E saindo dos sepulcros,
depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa e apareceram a muitos (Mateus
27.51-53).
Não há em nenhum outro evangelho passagem semelhante a esta, ao estudar o contesto da morte de Jesus notamos nesses versículos três acontecimentos extraordinários.
O véu do templo que se rasgou de auto a baixo.
O terremoto que fendeu
as pedras.
E A Ressurreição dos
Santos.
Notamos que os dois primeiros fenômenos aconteceram logo após a morte de Jesus, porém o texto diz que o terceiro aconteceu depois da ressurreição de Jesus, com isso entendemos que esses acontecimentos não são simultâneos e sim sucessivos.
Esse texto tratar-se de linguagem simbólica muito próxima da linguagem (Apocalíptica).
O que o evangelista Mateus pretendia dizer com isso é evidente que esses três fenômenos estão ligados a morte e ressurreição de Jesus. Vamos aos fatos:
Quanto ao Véu do Templo – o véu do templo de Jerusalém tinha pelo menos dois véus, um externo que separava entre o átrio e o templo propriamente dito (CF. Êxodo 26.36.37; 40.33). E o outro em que separava entre o “Santo” e a parte mais Santa chamada “Santo dos Santos” (Êxodo 26.31-35; 40.21). Estes véus eram uma vez por outra aspergida com sangue dos animais sacrificados.
Na descrição de Mateus provavelmente é o segundo véu que é contemplado.
Portanto qual é o significado do véu rasgado de alto a baixo.
A tradição cristã numa vislumbrante visão inspirada no texto de (Hebreus 9.12; 10.20). Viu nesse rasgar do véu a suspensão da Antiga Aliança, isto é, o culto mosaico e o acesso ao santuário escatológico franqueado por Jesus, por isso entendemos que com a morte de Jesus todos têm acesso livre a Deus, até os que não pertenciam ao povo de Deus, isto é, os gentio (Efésios 2.14).
Vamos á questão do terremoto que fendeu as pedras – freqüentemente na Bíblia o terremoto é sinônimo de Teofania, isto é, ato ou manifestação de Deus quando aparecia aos homens (Êxodo 19.18; I Samuel 14.15; I Reis 19.11). Além, disso naquele tempo os judeus acreditavam que o subsolo fosse á moradia dos mortos, por isso entendemos que Mateus numa visão escatológica quis dizer que chegará o momento das Boas Novas também para os mortos, como está escrito em João. “Não vos maravilheis disto; porque vem á hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; (João 5.28.29). Por isso que a terra tremeu e vibrou diante do seu criador. Essa interpretação se apóia também no texto que vem em seguida, ou seja, a ressurreição dos santos e o seu aparecimento na cidade Santa.
Quanto à questão dos mortos que após a ressurreição de Jesus ressuscitaram e apareceram na cidade a muitos. Muitos estudiosos têm confundido a ressurreição desses mortos de (Mateus 27.53). Com os de (Hebreus 11.35). Fazendo uma análise com muito cuidado entre esses dois escritores, notamos que em Mateus os mortos após a ressurreição entraram na cidade Santa e apareceram a muitos enquanto os da epístola dos Hebreus foram recebidos por suas mulheres, quando olhamos para Mateus descobrimos que ele estava falando da era escatológica da ressurreição vindoura. Já o escritor da epístola aos Hebreus daqueles que pela fé alcançaram vitória, por isso quando lemos o capítulo 11 de Hebreus descobrimos que o escritor estava relembrando fatos que ocorreram no Antigo Testamento, são exatamente esses mortos que foram ressuscitados por Elias e Eliseu (CF. I Reis 17.23; II Reis 4.35.36). Que foram recebidos por suas mulheres, e não daqueles que Mateus fala que um dia entrarão na cidade Santa. Na Jerusalém Celeste (Apocalipse 21.2.10; 22.19).
A Bíblia é muito clara e mostra que Jesus desceu a mansão dos mortos. CF. na primeira epístola de (I Pedro 3.19; 4.6). Cristo desceu, venceu a morte e conquistou o reino dos mortos (Apocalipse 1.18). No Novo Testamento são muitos os textos que falam a esse respeito.
O fenômeno da ressurreição dos mortos e o aparecimento deles na cidade Santa, isso indica a chegada dos tempos messiânicos, em outras palavras, com Jesus ressuscitado chegou o tempo em que a morte é acorrentada e a vida libertada para sempre. Observem que eles ressuscitaram depois da ressurreição de Jesus.
Ele é como diz o Apocalipse, o primeiro a ressuscitar dos mortos com ele se iniciou a vitória da vida sobre a morte e com ele todos nós também somos vitoriosos.
Portanto esse texto é lido simbolicamente e
escatologicamente.
Essa ressurreição é um sinal da era escatológica que está por vim (Isaías 26.19; Daniel 12.2). Que ressuscitarão pela morte de Cristo, eles esperam a sua ressurreição para entrar com ele na Cidade Santa, isto é, na Jerusalém Celeste (Apocalipse 21.2.10; 22.19). Como entende os Antigos Teólogos.
Essa cidade é a Nova Jerusalém lá de cima (Gálatas 4.26). A cidade que tem fundamentos da qual Deus é o arquiteto e fundador (Hebreus 11.10). A cidade do Deus vivo, por isso entendemos que essa cidade não pode ser a Jerusalém terrestre aquela que matou Jesus e os profetas.
Quem gostaria que tivesse acontecido exatamente as coisas que estão escritas não imagina como eles anulam o evangelho de Mateus.
Mateus como símbolo aponta para uma realidade escondida que ainda está por vim. E essa realidade também era esperada pelo o apóstolo Paulo “Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo. Mas cada um por sua ordem: Cristo as primícias, depois os que são de Cristo, na sua vinda (I Coríntios 15.22.23).
Portanto ficou claro que essa ressurreição que Mateus está
falando ainda não aconteceu. Porque Jesus foi feito as primícias dos que dormem. Cristo as primícias,
depois os que são de Cristo, na sua vinda. (I Coríntios 15.20-23). Conclusão. Cristo o primeiro, e nós cada um
por sua ordem:
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